domingo, agosto 23, 2026
engenhoconteudo.com
  • Login
  • Home
  • Cidades
  • Brasil
  • Cultura
  • Economia
  • Mundo
  • O Lado G
  • Opinião
  • Fale Conosco
Sem resultados
Ver todos os resultados
  • Home
  • Cidades
  • Brasil
  • Cultura
  • Economia
  • Mundo
  • O Lado G
  • Opinião
  • Fale Conosco
Sem resultados
Ver todos os resultados
Sem resultados
Ver todos os resultados
Home Cidades

Mulheres na Ciência em MS: invisibilidade, desafios e resistência no meio acadêmico

Renata Volpe Autoria Renata Volpe
agosto 22, 2026
Em Cidades
0
Mulheres na Ciência em MS: invisibilidade, desafios e resistência no meio acadêmico
74
Compartilhamentos
1.2k
Visualizações
Share on FacebookShare on Twitter

Elas são protagonistas na ciência sul-mato-grossense, produzem conhecimento e impactam diretamente a sociedade. Ainda assim, muitas vezes, permanecem invisíveis. É essa realidade que a professora e pesquisadora Marinete Rodrigues, da UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul busca transformar com o projeto de pesquisa sobre a atuação das mulheres na ciência no Estado.

Você também poderá gostar:

Horto Florestal de Campo Grande segue fechado, sem prazo de reabertura, e pede socorro

Do luxo ao lixo: Praça dos Imigrantes é esquecida e se transforma em cenário de abandono

Lugar de criança é na escola

Marinete é doutora em História Social pela USP (Universidade de São Paulo) e iniciou a trajetória universitária aos 42 anos, quebrando barreiras não apenas pessoais, mas também estruturais, driblando, até, o idadismo.

Desde então, tem dedicado a vida acadêmica a estudar gênero, ciência e a presença feminina na produção de conhecimento.

Seu projeto atual, financiado pelo edital 10/2022 da Fundect (Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de MS), é uma radiografia detalhada da presença e atuação das mulheres pesquisadoras em Mato Grosso do Sul.

Invisibilidade, protagonismo e insurgência na pesquisa sobre a mulher em MS

“A primeira barreira que as mulheres enfrentam é a invisibilidade”, explica Marinete. E é justamente contra isso que seu projeto se insurge. Ao mapear pesquisadoras da UEMS, UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), UFGD (Universidade da Grande Dourados) e UCDB (Universidade Católica Dom Bosco), ela analisou 1.382 currículos Lattes de mulheres. Os dados revelam que elas já são maioria em algumas instituições: na UFMS, por exemplo, são 752 pesquisadoras contra 693 homens. Já na UEMS, há praticamente um equilíbrio: 354 mulheres e 351 homens.
Marinete ressalta, contudo, que números brutos não contam toda a história. “Mesmo onde são maioria, as mulheres ainda publicam menos, coordenam menos projetos e enfrentam mais dificuldades para alcançar posições de liderança.”
Para além da análise estatística, o projeto inclui rodas de conversa, entrevistas e eventos acadêmicos que dão voz a essas mulheres. “Elas não são apenas dados. São cientistas que atuam em áreas essenciais como o Pantanal, a saúde pública e as ciências humanas. E precisam ser vistas.”

Onde estão e o que pesquisam as cientistas em Mato Grosso do Sul?

Segundo a pesquisadora, as mulheres predominam nas áreas das humanidades, como história, ciências sociais e pedagogia, e também em áreas da saúde, como enfermagem, psicologia, farmácia e pediatria. Na biotecnologia, há também forte presença feminina. Em regiões como Corumbá e Nova Andradina, há projetos inovadores liderados por pesquisadoras — como iniciativas com meninas cientistas e pesquisas voltadas à preservação do Pantanal.
Já nas áreas tradicionalmente dominadas por homens — como engenharias e ciências agrárias — o cenário ainda é desigual. “Mesmo em concursos para professores universitários, há muito mais homens aprovados. Muitas vezes, o currículo deles é mais robusto, porque elas enfrentam mais obstáculos para produzir ciência de forma contínua.”

O impacto da maternidade na carreira científica

Uma das barreiras mais evidentes para as pesquisadoras é a maternidade. “A mulher engravida, continua trabalhando durante a gestação, mas depois do nascimento do bebê, a produção científica costuma ser interrompida por cerca de dois anos”, explica Marinete. Esse hiato compromete a continuidade de projetos, a participação em editais e a publicação de artigos, o que pesa diretamente na avaliação acadêmica.
“Quando ela volta, precisa quase começar do zero. Enquanto isso, o colega homem seguiu publicando, coordenando projetos, orientando alunos. É um desestímulo enorme”, afirma.
A cientista defende políticas públicas específicas para apoiar pesquisadoras-mães, citando modelos como os das universidades norte-americanas, que oferecem creches dentro dos campi. “Aqui, precisamos avançar nesse sentido. A ciência exige continuidade, e não podemos mais ignorar isso.”

Autonomia, liderança e enfrentamento do preconceito para fazer ciência em MS

Outro desafio apontado por Marinete é a autonomia da mulher dentro das relações familiares, afetivas e institucionais. “Muitas vezes, a mulher precisa da autorização do pai, do marido ou do chefe para participar de um evento, fazer uma viagem, assumir um projeto. Isso precisa mudar.”
Ela também destaca a baixa presença feminina na liderança de laboratórios e projetos científicos. “As mulheres precisam ocupar esses espaços. Para isso, entretanto, precisam de redes de apoio, inclusive de colegas homens comprometidos com a equidade.”
Por fim, a pesquisadora enfatiza a necessidade de eliminar estereótipos e preconceitos arraigados. “Essas barreiras vêm de um processo histórico, mas precisamos ir além do cotidiano. A ciência é movimento, é transformação. E sem a participação plena das mulheres, a sociedade inteira perde.”

De Assis à USP: a trajetória de resistência de Marinete

A história de Marinete é, por si só, um símbolo da luta feminina na academia. Ela entrou na universidade aos 42 anos, cursou história na UFMS e foi aprovada no mestrado da UNESP (Universidade Estadual de São Paulo), na cidade de Assis. Lá, enfrentou aquele que seria o primeiro episódio de discriminação: mesmo tendo sido aprovada nas etapas do doutorado, foi preterida por um orientador que escolheu dois homens. “Foi um choque, mas não desisti.”
Determinada, foi aprovada na USP e completou o doutorado com louvor. Depois, fez pós-doutorado na Universidade Nacional de Rosario, na Argentina, em desafio até mesmo à pandemia da Covid-19. Desde 2015, coordena o mestrado profissional em Ensino de História da UEMS ,e agora, lidera a implantação do doutorado profissional.

Pesquisadora lidera ciclos de debates em universidades de MS

A pesquisadora organiza ciclos de debates em diversas cidades do Estado, como Corumbá, Nova Andradina e Campo Grande. Os encontros reúnem mulheres cientistas de diferentes áreas para apresentarem seus projetos à sociedade.
“O conhecimento tem que sair dos muros da universidade. Ciência precisa ter impacto social”, afirma. Para ela, educação e ciência são ferramentas fundamentais para transformar realidades.

Marinete conclui com um apelo: “Não é uma guerra entre homens e mulheres. É uma luta por equidade. A ciência brasileira só vai avançar se permitir que as mulheres avancem também.”
E em Mato Grosso do Sul, essa luta está cada vez mais visível — graças ao trabalho de pesquisadoras como Marinete e tantas outras que insistem em ocupar seu espaço no universo específico.

Tags: Mulheres na Ciência; Pesquisa Mulheres; UFMSMulheres PesquisadorasUEMSUFGD
Compartilhar30Tweet19
Renata Volpe

Renata Volpe

Recomendamos também:

Horto Florestal de Campo Grande segue fechado, sem prazo de reabertura, e pede socorro

Autoria Helio Tinoco
agosto 22, 2026
0
Horto Florestal de Campo Grande segue fechado, sem prazo de reabertura, e pede socorro

Parque histórico está abandonado e interditado, privando população de espaço vital de lazer, cultura e meio ambiente Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, enfrenta uma grave...

Leia mais

Do luxo ao lixo: Praça dos Imigrantes é esquecida e se transforma em cenário de abandono

Autoria Helio Tinoco
agosto 22, 2026
0
Do luxo ao lixo: Praça dos Imigrantes é esquecida e se transforma em cenário de abandono

Espaço histórico e cultural, que já foi referência em artesanato e turismo, está fechado há mais de dois anos e enfrenta deterioração acelerada Campo Grande, capital do Mato...

Leia mais

Lugar de criança é na escola

Autoria jgomeia@gmail.com
agosto 22, 2026
0
Lugar de criança é na escola

A data de 12 de junho é marcada como o Dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil, mas como é o trabalho infantil e como ele prejudica o...

Leia mais

Ei! Psiu! Venha ler, porque a leitura é uma prática em severa crise

Autoria Helio Tinoco
agosto 22, 2026
0
Ei! Psiu! Venha ler, porque a leitura é uma prática em severa crise

Ler é um hábito que a humanidade adquiriu desde tempos remotos, a partir das escritas, como, por exemplo, as cuneiformes e os hieróglifos, que desenvolveram o costume de...

Leia mais

Por que vandalizam as lixeiras em Campo Grande?

Autoria Renata Volpe
agosto 22, 2026
0
Por que vandalizam as lixeiras em Campo Grande?

Se você já passeou pela região central de Campo Grande, provavelmente notou as lixeiras de concreto que adornam algumas das principais ruas e pontos turísticos da cidade. Em...

Leia mais
Próximo post
Orientação sexual mal resolvida. Essa bomba vai estourar

Orientação sexual mal resolvida. Essa bomba vai estourar

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Notícias relacionadas

Elas são maioria nas redações, mas salários maiores são deles

agosto 22, 2026
Clara Zatkin, a mulher que idealizou o “8 de março”

Clara Zatkin, a mulher que idealizou o “8 de março”

agosto 22, 2026
Startups se preparam para COP30 com inovações e sustentabilidade

Startups se preparam para COP30 com inovações e sustentabilidade

agosto 22, 2026

Categorias

  • Brasil
  • Cidades
  • Economia
  • Fale Conosco
  • Mundo
  • O Lado G
  • Opinião
engenhoconteudo.com

Vila Morena é um veículo de comunicação independente fundado por jornalistas.

Categorias

  • Brasil
  • Cidades
  • Economia
  • Fale Conosco
  • Mundo
  • O Lado G
  • Opinião

Tags

bolsonaro bolsonaro traidor Campo Grande e Meio Ambiente Carrinho de compras supermercado Causa Palestina coletividade Coluna Lado G Crédito para mulheres Dia Internacional da Mulher Direitos humanos Direitos Humanos no Brasil Economia e mulheres educação empreendedorismo feminino Esquerda da América Latina Fome em Gaza Genocídio em Gaza Genocídio Palestino homossexualidade Horto Florestal Campo Grande LGBTQIA+ Lixeiras de Campo Grande Luta Feminina Mato Grosso do Sul Meio Ambiente Meio ambiente Campo Grande Mulheres na economia Mês do Orgulho Narcotráfico PCC Pepe Mujica Portugal Praça dos Imigrantes de Campo Grande; Vandalismo Póvoa de Varzim Resiliência feminina Sara York Sexualidade tarifas trump traição à patria Travesti na Educação Tráfico de drogas Uruguai vacina vacina influenza Violência contra a Mulher

© 2026 – Vila Morena – Todos os direitos reservados – Produção: Engenho Conteúdo

Sem resultados
Ver todos os resultados
  • Home
  • Cidades
  • Brasil
  • Cultura
  • Economia
  • Mundo
  • O Lado G
  • Opinião
  • Fale Conosco

© 2026 – Vila Morena – Todos os direitos reservados – Produção: Engenho Conteúdo

Welcome Back!

Login to your account below

Esqueceu sua senha?

Recupere sua senha

Insira os detalhes para redefinir a senha

Log In
Tem certeza de que deseja desbloquear esta publicação?
Unlock left : 0
Are you sure want to cancel subscription?